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Ao mencionarmos a política ateniense no século V a.C. e suas fronteiras marítimas, não podemos deixar de mencionar sua poderosa marinha e a participação ativa dos seus remadores na hegemonia sobre o Mar Egeu. Oriundos do segmento social ateniense thete, os marinheiros atenienses movimentavam, com a força motriz dos seus braços, as embarcações de guerra do tipo trieres. Portanto, ao tratarmos os thetes e sua inserção na frota naval de Atenas, também estamos analisando de forma indireta sua participação política. Quem eram esses thetes? Tratava-se de um grupo social homogêneo? Qual seria sua participação na manutenção do sistema democrático? Poderia o termo democracia ser entendido como poder do demos, considerado como poder das massas, ou se torna mais adequado defini-lo como uma forma de governo em que o demos/thetes aparece mais como beneficiário que protagonista no poder político da pólis? A esse propósito, destacamos o fato de diversas lideranças políticas atenienses recorreram aos polloi/plethos/thetes entendidos como massas populares, para atuarem e exercerem seu poder no cenário político. Dentre as personalidades citamos: Sólon, Pisístratos, Temístocles e Perícles.

Diversas lideranças políticas atenienses não apenas buscaram obter apoio do plethos, tanto quanto, ao cuidarem das questões marítimas, relacionaram a diplomacia ateniense a participação das massas. Não foi mero acaso Atenas ter sido uma potência no século V a.C. com um número expressivo de seus cidadãos voltados às questões marítimas, ponto em que vemos estreita relação da política ateniense com o mar. Identificamos que a formação das fronteiras marítimas atenienses na era Clássica, estava diretamente relacionada à inserção dos thetes junto à frota naval de Atenas, ação efetivada por Temístocles e prescrita nas documentações História (Heródoto), A História da Guerra do Peloponeso (Tucídides), A Constituição dos atenienses (Pseudo-Xenofonte), cujas estruturas erigiram-se com descaso e críticas direcionadas ao segmento social thete. A análise das fronteiras marítimas atenienses demarca uma construção que emerge da concepção antropológica para o nível físico, no recorte temporal que se estende de 483-404 a.C., demarcando o período em que Atenas assenta seu projeto marítimo com apoio dos seus cidadãos thetes.

Doutor em História Comparada (2017) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre em História Comparada (2011) pela UFRJ e graduado em Filosofia (2008) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Tem experiência na área de História Antiga, com ênfase em Guerra e Teatro Grego. Possui estágio de pesquisa supervisionado pelo Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra (2014) e pela École Française D'Athenes (2015). Dentre suas atividades acadêmicas, é pesquisador do Núcleo de Estudos da Antiguidade da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (NEA/Uerj), no Núcleo de Estudos da História Medieval Antiga e Arqueologia Transdisciplinar da Universidade Federal Fluminense (Nehmmat/UFF) e do Laboratório de Simulações e Cenários da Escola de Guerra Naval da Marinha do Brasil (LSC-EGN/MB). Atua como professor nos cursos de especialização em História Antiga e Medieval da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Ceham/Uerj). É autor do livro Guerra e Mercenarismo na Atenas Clássica (2013) e atualmente desenvolve um pós-doutorado no Programa de História Política da Universidade Estadual do Rio de Janeiros (PPGH-Uerj), com a pesquisa intitulada “A figura do trierarcha na rede de contatos políticos atenienses no mar egeu entre 378 a 357 a.C.: uma análise sobre a arqueologia do comando marítimo através dos argonautas de Apolônio de Rodes”.

Lattes iD: lattes.cnpq.br/3504667242183711

Orcid: 0000-0001-8199-0445